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17.3.10


Um balanço para MMX

Não consta que as gaivotas tenham culpa
do trágico destino do Mar de Aral.
Antigo manancial de peixes, o grande oásis
do deserto é hoje nada mais, secou.
A vida é assim mesmo. Uns plantam,
outros nem cantam e a história segue
sem fim. Sem sustentabilidade,
será que os temas e a retórica
neopopulistas dominarão o mundo ¿
Como reverter o consumismo?
A novíssima geração informará.

O quarto maior lago do planeta morreu.
Notícias de uma crise, de falta de percepção.
O globalitarismo  (como disse Milton
Santos, o genial geógrafo brasileiro)
exclui a diferença. A crise da percepção é
excluir o outro, é concentrar (ainda mais!)
poder nas mãos de uns poucos.  
Na resistência ativa ao totalitarismo,
o exercício da reflexão.  

Nenhuma reforma educacional será
suficiente. A escola não responde.
A educação transformadora é dos sentidos.
Só uma nova percepção liberta.
Somos mestiços e latinos, e queremos
passagem para experimentar o novo
método: a experimentação é sempre o
atual, o nascente, o novo, o que
             está sendo feito. Somos latinos, nunca
fomos romanos, eis o X da questão.    

A velha síndrome iluminista de
antropocentrismo ocidental  nos
impede de olhar para nós mesmos.

Carlos Drummond: A Europa é
uma cidade muito velha onde só fazem
caso de dinheiro(...).” Por outro lado, é
hora de virar o espelho norte-americano,
que por dois séculos tem sido
agressivamente apontado para o Sul.
Nossas fantasias e ansiedades exigem
passagem.  Não há saídas, só ruas,  
viadutos  e  avenidas.
             Navegar costuma ser monótono.

              Eu digo nunca mais aos corvos.
       E sigo pela praia e canto porque sei
que há muitas consolações para os infelizes;
para os felizes nunca as encontrei.




            

22.2.10

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a foto poderia ser de uma escola em qualquer lugar do nordeste
do planeta

foi feita numa escola no Capão Redondo, em São Paulo, publicada no jornal,
e revela bem uma situação que precisa mudar