BODE REI CABRA RAINHA
Acabo de assistir aos 55 minutos do filme de Helena Tassara: simplesmente fabuloso, de uma grandeza que só o cinema-poesia permite. Tudo muito bem construído, roteiro, música, fotografia, montagem. E a palavra extraordinária de Cabral, Euclides da Cunha, J. Borges.
Até a presença bizarra de Ariano Suassuna ganha sentido no contexto desse trabalho.
É ver para saber "o aço do osso, que resiste/ quando o osso perde seu cimento".
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O núcleo de cabra é visível
debaixo do homem do Nordeste.
Da cabra lhe vem o escarpado
e o estofo nervudo que o enche.
Se adivinha o núcleo de cabra
no jeito de existir, Cardozo,
que reponta sob seu gesto
como esqueleto sob o corpo.
E é outra ossatura mais forte
que o esqueleto comum, de todos;
debaixo do próprio esqueleto,
no fundo centro de seus ossos.
A cabra deu ao nordestino
esse esqueleto mais de dentro:
o aço do osso, que resiste
quando o osso perde seu cimento.
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"Poemas da Cabra"
João Cabral de Melo Neto
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9.4.09
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