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21.6.08

PHILA




Em 1985, Philadelpho Menezes organizou sua primeira mostra “poesia intersignos”, no Centro Cultural São Paulo. Foi o estopim da bomba que o condenou a um mundo de dificuldades que não o impediram de continuar sua obstinada realização poética.

São muitos feitos em quarenta anos de vida, até 2000. Sempre vivo na lembrança dos que o conheceram e o admiram, Phila completaria hoje 48 anos.

Para festejo, um sonzinho:


Nem o mármore, nem monumentos dourados
Têm vida mais longa que a palavra; o poema.
Aqui se tem mais brilho, afastam-se os enfados
De pedra, pelo tempo gasta, sem dilema.

E quando estátuas já são blocos do acaso,
Construções de pedra indo à terra com a guerra,
Não há bala ou fogo fugaz que abale o caso
De amor do poema co'a vida que ele encerra.

Contra a morte, contra o inimigo esquecimento,
Em busca de um espaço em branco no futuro,
É que trava sua batalha, seu sustento,
Vestindo a palavra, investindo contra o escuro.

Até que a eles a posteridade chegue,
Viverão juntos o poema e quem o pegue.

(Shakespeare, Soneto LV, em tradução de Philadelpho Menezes)