DIÁLOGOS EM RITMO DE SAMBA
De Oswald a Arrigo, passando por Eduardo das Neves, o Brasil campeão, de Ademir da Guia e de Santos Dumont
A Europa curvou-se ante o Brasil
3 a 1
A injustiça de Cette
4 a 0
2 a 1
3 a 1
E meia dúzia na cabeça dos portugueses
O poema de Oswald de Andrade, de 1925, comemorava os feitos do Paulistano no futebol internacional. O título do poema transformou-se em verso da composição de Eduardo das Neves, que fala de Santos Dumont como "estrela":
A conquista do ar
(Letra e música de Eduardo das Neves - aqui )
A Europa curvou-se ante o Brasil / E clamou “parabéns” em meio tom. / Brilhou lá no céu mais uma estrela: / Apareceu Santos Dumont.
Salve, Estrela da América do Sul, / Terra, amada do índio audaz, guerreiro! / Santos Dumont, um brasileiro!
A conquista do ar que aspirava / A velha Europa, poderosa e viril, / Quem ganhou foi o Brasil!
Por isso, o Brasil, tão majestoso, / Do século tem a glória principal: / Gerou no seu seio o grande herói / Que hoje tem um renome universal.
Assinalou para sempre o século vinte/ O herói que assombrou o mundo inteiro:/ Mais alto que as nuvens. / Quase Deus, Santos Dumont - um brasileiro.
Tudo isso fez Arrigo Barnabé inventar um samba, no disco TUBARÕES VOADORES (1980).
A composição de Arrigo para Santos Dumont abre com versos de Oswald na levada de Caetano Veloso:
“No Pão-de-açúcar de cada dia/ daí-nos, Senhor, a poesia de cada dia”.
Arrigo Barnabé declarou:
“A europa curvou-se”, era um material que eu havia composto em 1977/78, uma primeira experiência com o dodecafonismo, tentando utilizá-lo em alguma coisa de raiz brasileira. Isso ficou como 1ª parte, o Bozzo Barreti fez a 2ª parte, então ficou uma canção, um “samba”, com 2 partes.”
A EUROPA CURVOU-SE ANTE O BRASIL
Carlos Renó (letra)
Arrigo Barnabé e Bozzo Barreti (música)
Ao ver o pássaro planar no céu voar
Já era o sonho, o aéreo plano
De um menino a empinar pipa no ar
Queria ser o inventor do avião
Entre um par de asas mandaria brasa
Sabe quem era o sonhador: Santos Dumont
Com sua pose e seu chapéu em pleno céu
No 14 bis tal e qual um giz o quadro azul
Do ar riscou e se arriscou
Sobre a história e o chão num vôo bom
Foi a glória ao homem nas alturas móveis
A nossa mãe da invenção: Santos Dumont
Não viva todo mundo não, viva o Dumont
Que esteve à margem mas teve coragem
A nossa mãe da invenção: Santos Dumont.