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25.4.09

VOA, MEU SAMBA



DIÁLOGOS EM RITMO DE SAMBA


De Oswald a Arrigo, passando por Eduardo das Neves, o Brasil campeão, de Ademir da Guia e de Santos Dumont







A Europa curvou-se ante o Brasil


7 a 2
3 a 1
A injustiça de Cette
4 a 0
2 a 1
3 a 1
E meia dúzia na cabeça dos portugueses


O poema de Oswald de Andrade, de 1925, comemorava os feitos do Paulistano no futebol internacional. O título do poema transformou-se em verso da composição de Eduardo das Neves, que fala de Santos Dumont como "estrela":


A conquista do ar

(Letra e música de Eduardo das Neves - aqui )

A Europa curvou-se ante o Brasil / E clamou “parabéns” em meio tom. / Brilhou lá no céu mais uma estrela: / Apareceu Santos Dumont.

Salve, Estrela da América do Sul, / Terra, amada do índio audaz, guerreiro! / Santos Dumont, um brasileiro!

A conquista do ar que aspirava / A velha Europa, poderosa e viril, / Quem ganhou foi o Brasil!

Por isso, o Brasil, tão majestoso, / Do século tem a glória principal: / Gerou no seu seio o grande herói / Que hoje tem um renome universal.

Assinalou para sempre o século vinte/ O herói que assombrou o mundo inteiro:/ Mais alto que as nuvens. / Quase Deus, Santos Dumont - um brasileiro.





Tudo isso fez Arrigo Barnabé inventar um samba, no disco TUBARÕES VOADORES (1980).






A composição de Arrigo para Santos Dumont abre com versos de Oswald na levada de Caetano Veloso:


“No Pão-de-açúcar de cada dia/ daí-nos, Senhor, a poesia de cada dia”.



Arrigo Barnabé declarou:


“A europa curvou-se”, era um material que eu havia composto em 1977/78, uma primeira experiência com o dodecafonismo, tentando utilizá-lo em alguma coisa de raiz brasileira. Isso ficou como 1ª parte, o Bozzo Barreti fez a 2ª parte, então ficou uma canção, um “samba”, com 2 partes.”


A EUROPA CURVOU-SE ANTE O BRASIL

Carlos Renó (letra)

Arrigo Barnabé e Bozzo Barreti (música)


Ao ver o pássaro planar no céu voar

Já era o sonho, o aéreo plano

De um menino a empinar pipa no ar

Queria ser o inventor do avião

Entre um par de asas mandaria brasa

Sabe quem era o sonhador: Santos Dumont

Com sua pose e seu chapéu em pleno céu

No 14 bis tal e qual um giz o quadro azul

Do ar riscou e se arriscou

Sobre a história e o chão num vôo bom

Foi a glória ao homem nas alturas móveis

A nossa mãe da invenção: Santos Dumont

Não viva todo mundo não, viva o Dumont

Que esteve à margem mas teve coragem

A nossa mãe da invenção: Santos Dumont.