O Amor
Vladimir Maiakóvski (1893/1930)
Talvez, quem sabe, um dia,
por uma alameda de zoológico,
ela também chegará.
Ela, que também amava os animais,
entrará sorridente assim como está
na foto sobre a mesa.
Ela é tão bonita
que na certa eles a ressuscitarão...
O século trinta vencerá
o coração destroçado já pelas mesquinharias.
Agora vamos alcançar tudo o que não pudemos
amar na vida,
com o estrelar das noites inumeráveis.
Ressuscita-me
ainda que mais não seja,
porque sou poeta,
e ansiava o futuro.
Ressuscita-me
lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe, minha vida,
para que não mais existam amores servis.
Ressuscita-me
para que ninguém mais tenha de sacrificar-se
por uma casa, ou um buraco.
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje,
a família se transforme
e o pai seja pelo menos o universo
e a mãe seja no mínimo
a Terra, a Terra, a Terra...
(tradução de Ney Costa Santos)
SOBRE A LEI MARIA DA PENHA E A NOSSA CONDIÇÃO DE MULHER
"toda mulher tem o direito a uma vida
livre de violência"
Prova de que até mesmo as maiores conquistas
políticas e sociais podem servir ao mal:
após séculos de luta, foi promulgada no Brasil,
em 07 de agosto de 2006, a lei 11.340∕06
(a Lei Maria da Penha).
Sim, há motivos para festejar tão importante avanço legal
no campo do combate à violência doméstica –
mas é preciso, sobretudo agora, fazer prevalecer a JUSTIÇA!
É por ela que clamo e reclamo neste domingo, dia das Mães.
(E tem mais: já passa da hora da poesia ser vista como instrumento
para a configuração do mundo! Ó, mulheres! Onde o modelo feminista, copiado ao machista, vai nos levar?)
Pausa para cantar, com a Joyce Moreno:
FEMININA
- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
Costura o fio da vida só pra poder cortar
Depois se larga no mundo pra nunca mais voltar
- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar
- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
E esse mistério estará sempre lá
Feminina menina no mesmo lugar
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
Costura o fio da vida só pra poder cortar
Depois se larga no mundo pra nunca mais voltar
- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar
- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
E esse mistério estará sempre lá
Feminina menina no mesmo lugar