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9.5.10

O Amor

             Vladimir Maiakóvski (1893/1930)
             

Talvez, quem sabe, um dia,
por uma alameda de zoológico,
ela também chegará.
Ela, que também amava os animais,
entrará sorridente assim como está
na foto sobre a mesa.
Ela é tão bonita
que na certa eles a ressuscitarão...
O século trinta vencerá
o coração destroçado já pelas mesquinharias.
Agora vamos alcançar tudo o que não pudemos
amar na vida,
com o estrelar das noites inumeráveis.
Ressuscita-me
ainda que mais não seja,
porque sou poeta,
e ansiava o futuro.
Ressuscita-me
lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe, minha vida,
para que não mais existam amores servis.
Ressuscita-me
para que ninguém mais tenha de sacrificar-se
por uma casa, ou um buraco.
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje,
a família se transforme
e o pai seja pelo menos o universo
e a mãe seja no mínimo
a Terra, a Terra, a Terra...

(tradução de Ney Costa Santos)



SOBRE A LEI MARIA DA PENHA E A NOSSA CONDIÇÃO DE MULHER

"toda mulher tem o direito a uma vida 
livre de violência"

os fatos históricos atestam os abusos sofridos
por mulheres, até mesmo (e, muitas vezes, principalmente)
em seus domicílios; o caso da farmacêutica cearense
Maria da Penha Maia Fernandes é exemplar. Agredida pelo marido,
lutou para se libertar (e conseguiu!) mesmo depois de levar um tiro 
e ficar paraplégica. Maria guerreira.

Mas há outras marias, que não hesitam em usar a lei
para encobrir suas fraquezas ou falta de caráter
e chegam a mentir e forjar um crime contra o masculino,
alegando que são vítimas. 

Prova de que até mesmo as maiores conquistas
políticas e sociais podem servir ao mal:
após séculos de luta, foi promulgada no Brasil,
em 07 de agosto de 2006, a lei 11.34006
(a Lei Maria da Penha).

Que a Lei promova a Paz e não seja apenas uma arma 
na guerra dos sexos: qual a graça de um mundo sem diferenças? 

Sim,  há motivos para festejar tão importante avanço legal
no campo do combate à violência doméstica – 
 mas é preciso, sobretudo agora, fazer prevalecer a JUSTIÇA!

É por ela que clamo e reclamo neste domingo, dia das Mães.

(E tem mais: já passa da hora da poesia ser vista como instrumento
para a configuração do mundo! Ó, mulheres! Onde o modelo feminista, copiado ao machista, vai nos levar?)

Pausa para cantar, com a Joyce Moreno:

FEMININA
- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Costura o fio da vida só pra poder cortar
Depois se larga no mundo pra nunca mais voltar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

E esse mistério estará sempre lá
Feminina menina no mesmo lugar