"Se aquele patife tivesse chegado ali naturalmente, eu não me zangaria.Se me tivesse encomendado e pago um elogio à firma Tavares & Cia., eu teria escrito o artigo. É isto. Pratiquei neste mundo muita safadeza. Para que dizer que não pratiquei safadezas? Se eu as pratiquei! É melhor botar a trouxa abaixo e contar a história direito.Teria escrito o artigo e recebido o dinheiro. O que não achava certo era ouvir Julião Tavares todos os dias afirmar, em linguagem pulha, que o Brasil é um mundo, os poetas alagoanos uns poetas enormes e Tavares pai, chefe da firma Taveres & Cia., um talento notável, porque juntou dinheiro. Essas coisas a gente diz no jornal, e nenhuma pessoa medianamente sensata liga importância a elas. Mas na sala de jantar, fumando, de perna trançada, é falta de vergonha. Francamente, é falta de vergonha."
Ramos, Graciliano. Angústia. São Paulo: Record, 2002, p.50.
ilustração de Marcelo Grasmann
4.2.10
Limpeza de arquivo
lembrança de uma viagem ao Rio
2.2.10
Revista Continuum Itaú Cultural
convida Está aberto o período de recebimento de projetos de reportagem (seção Deadline) ou trabalhos artísticos e reflexivos (seção Área Livre) para a revista Continuum Itaú Cultural.
Os projetos selecionados serão publicados na edição número 25, meses março/abril de 2010. Todos os trabalhos deverão abordar o tema: A ARTE E A VIDA.
guaxuma, do tupi uaxýma, variação de guaxima, arbustotambém conhecido como hibiscus, ou malva-da-praia; fibra macia, forte, lustrosa, para cordame, produzida no Brasil e na África; valor medicinal. (sida rhombifolia)
1.2.10
GUARDAR
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso, melhor se guarda o voo de um pássaro Do que um pássaro sem voos. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo: Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: Guarde o que quer que guarda um poema: Por isso o lance do poema: Por guardar-se o que se quer guardar.
CÍCERO, Antonio. Guardar. Rio de Janeiro: Record, 1997.
foi no dia 31 de dezembro de 1961 que te compreendi Jorge de Lima enquanto eu caminhava pelas praças agitadas pela melancolia presente na minha memória devorada pelo azul eu soube decifrar os teus jogos noturnos indisfarçável entre as flores uníssonos em tua cabeça de prata e plantas ampliadas como teus olhos crescem na paisagem Jorge de Lima e como tua boca palpita nos bulevares oxidados pela névoa uma constelação de cinza esboroa-se na contemplação inconsútil de tua túnica e um milhão de vagalumes trazendo estranhas tatuagens no ventre se despedaçam contra os ninhos da Eternidade é neste momento de fermento e agonia que te invoco grande alucinado querido e estranho professor do Caos sabendo que teu nome deve estar como uma talismã nos lábios de todos os meninos
PIVA, Roberto. Paranóia. São Paulo: Massao Ohno, 1963 (livro relançado em 2000 pelo Instituto Moreira Sales)
29.1.10
DIREITO À REFLEXÃO
"O problema fundamental em qualquer empreendimento artístico é a tendência a separar o artista de seu público e, então, tentar enviar uma mensagem de um a outro. Quando isso acontece, a arte se torna exibicionismo. Uma pessoa pode ter um tremendo lampejo de inspiração e correr para 'colocá-lo no papel' para impressionar ou excitar os outros, e um artista mais calculista pode ter uma estratégia para cada passo de seu trabalho, a fim de produzir certos efeitos em sua audiência. No entanto, independentemente das boas intenções ou da realização técnica dessas abordagens, elas inevitavelmente se tornam canhestras e agressivas em relação aos outros e a si mesmas." Chögyam Trungpa
ps: vale a pena visitar o blogue de MARCELO SAHEA, o POESILHA, onde fui buscar a pérola acima.
28.1.10
ABAIXO ASSINADO PARA CRIAÇÃO DO PARQUE NACIONAL DO GANDARELA
Movimento pela preservação da Serra do Gandarela
A Serra do Gandarela está localizada nos municípios de Caeté, Santa Barbara, Barão de Cocais, Rio Acima, Itabirito e Raposos na região metropolitana de Belo Horizonte, MG. Faz parte da Reserva da Biosfera do Espinhaço, e apresenta alguns dos habitats mais significativos de toda a cadeia. Diversos estudos acadêmicos, concluídos e em andamento, e a compatibilidade da área com as legislações municipais, estadual e federal vêm reforçar a vocação e a necessidade de proteção integral desta área.
Fazendo uma curva de mais de 180 graus, as cristas da serra são os vértices de um dos mais importantes sinclinais da região central de Minas Gerais e da Área de Proteção Ambiental Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte (APA-SUL RMBH), criada para preservar a biodiversidade e os mananciais que abastecem toda a região. Os campos rupestres sobre cangas são os mais preservados de toda a região, constituindo a principal área de recarga do Sinclinal Gandarela, a abastecer vários córregos e ribeirões, de classes Especial e 1, das bacias dos rios Piracicaba/Doce e Velhas/São Francisco – este último, à montante da principal captação para o abastecimento público da RMBH.
Além de divisor das bacias hidrográficas dos rios Doce/Piracicaba e São Francisco/Rio das Velhas, o Gandarela forma um corredor ecológico natural com o Caraça, unindo as duas bacias.
Podemos considerar a região do Gandarela como a área mais extensa com tal diversidade de características e que ainda não apresenta a exploração maciça de seus recursos minerais e a interferência urbana. A Mata Atlântica, no interior e nas vertentes exteriores da serra, é a maior e mais preservada de toda a região. Juntamente com os campos rupestres e os campos de altitude, guarda uma rica diversidade de flora e fauna, que abriga espécies endêmicas e em extinção, além de uma das maiores geodiversidades da região do Quadrilátero Ferrífero. Mais de 50 cavernas já foram cadastradas e um sítio Paleontológico de grande importância (constituído de depósitos sedimentares da idade terciária, ocorrência única de três unidades continentais empilhadas, do Eoceno Superior, Oligoceno e Mioceno Inferior).
Trata-se finalmente de uma área mediterrânea entre referências fundamentais da topografia regional (Serra do Caraça, Serra da Piedade, Pico do Itacolomi e Pico do Itabirito) e da porção Leste do Quadrilátero, possivelmente a mais pujante do conjunto dos povoamentos originários do Ciclo do Ouro na região.
Diante da importância da área acima exposta e o apoio das comunidades do entorno e da região metropolitana, várias entidades solicitam a criação do Parque Nacional Gandarela para preservação ambiental e alternativa de desenvolvimento turistico e cultural da região conforme abaixo assinado que deve ser encaminhado para a sede do Projeto Manuelzão.
Na crônica da poesia brasileira, atitudes práticas em favor dos poetas são incomuns. Agora é hora de fazermos algo, URGENTEMENTE, em benefício de um dos grandes poetas vivos, para quem vida e poesia são uma coisa só. Segundo notícias que chegam pelos poetas Ademir Assunção, Marcelo Sahea e Ricardo Aleixo, Roberto Piva está internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e precisa de recursos financeiros para se manter em condições dignas, lá dentro e também após o tratamento. Poetas não vivem de brisa. É preciso agir.
Quem puder e quiser deve fazer um depósito na conta bancária dele, que será movimentada por pessoas confiáveis, presentes ao lado de Piva nesse momento difícil.
Itaú
agência 0036
cc 20592-0
cpf 565 802 828-00
ATIVIDADES ESSENCIAIS DA VIDA
RESPIRAÇÃO, MOVIMENTO, ALIMENTO,
PENSAMENTO, RELACIONAMENTO
O texto da Sônia Hirsch, que eu copio abaixo, está no blogue dela que você pode conhecer clicando aí: DEIXA SAIR. Sônia estará em São Paulo, nos dias 5 e 6 de fevereiro, para uma oficina no SESC. Será que ela não quer vir a Maceió?
Há muita coisa que a gente põe pra dentro todo dia, depois não deixa sair e ainda reclama: Estou engordando! Meu intestino não funciona! Tenho o colesterol alto! Triglicerídeos! A glicose é alta também! Sinto cólicas menstruais horríveis, pedras nos rins e na vesícula, mau hálito, colite, diverticulite, rinite, sinusite, catarro nos pulmões, corrimento, alergias, suor fedido, ouvido meio surdo, articulações emperradas, cistos, tumores, varizes, ameaças de enfarte, ai, que dor de cabeça!
Curioso. Porque o nosso corpo é feito justamente pra deixar sair, e assim evitar qualquer doença. A gente faz coco, xixi, sua arrota, peida, expira, tosse, chora, menstrua, assoa o nariz, tem orgasmo e outras coisas pra se livrar de excessos que, em ficando, perturbam o bom funcionamento físico, mental e espiritual.
Aquela tensão na nuca é um excesso que tem que sair. Aquele ideal vibrando no peito um dia tem que sair. Talentos abandonados e apetites mal satisfeitos acabam virando doença.
Quando não se deixa sair, o final mais provável é o hospital. Por isso é que todo mundo tem que ter seguro médico-hospitalar, já que pode ficar doente a qualquer momento, e doença é despesa. Só que, como dizia Gandhi, a multiplicidade de hospitais não é sinal de civilização, é sintoma de decadência.
Não tem aquele papo de que pra baixo todo santo ajuda? Pois é: pra piorar, tá fácil.
A comida moderna, o stress urbano, a poluição, a crise econômica, a pasteurização cultural, tudo isso são pressões e invasões difíceis de evitar, que acabam fazendo a gente se sentir meio qualquer coisa, vivendo de qualquer jeito.
Mas é possível reagir a isso em outro tom, construindo um mundo interno forte e bem protegido. E também é possível aprender a eliminar os excessos de toxinas físicas e mentais através das cinco atividades essenciais da vida: alimentação, respiração, movimento, pensamento e relacionamento.
São práticas simples, baseadas num princípio só, que é o entra-e-sai.